O poder das multidões
por Paulo Gouvea, em 24/01/2011 às 11h07
Em anos recentes, o termo “crowd” ganhou força quando se fala de tendências na internet. Não é nenhuma novidade que a web 2.0 mostrou a força que cada indivíduo pode ter – muitas empresas começaram a terceirizar tarefas, pedindo auxílio a um grande grupo de pessoas. Desenvolvimento de aplicativos, melhorias em softwares de código aberto, análise de dados e até criação de logomarcas. As empresas pedem, e sempre haverá pelo menos uma pessoa em algum canto do mundo disposta a ajudar.
O “crowd”, a “multidão” deste caso, se refere à quantidade de pessoas que está disponível para solucionar o tal problema – mesmo que apenas uma tenha a melhor solução. Mas e o poder que as pessoas têm para fazer algo junto? Novas ideias têm surgido para testar os limites dessa parceria entre pessoas que não se conhecem. Os sites de compras coletivas provam isso. Mas um movimento ainda mais interessante, baseado no mesmo princípio, tem chamado atenção no mundo da música.
Diversas bandas internacionais deixam de vir ao Brasil por serem “pequenas”, com poucos fãs (quando comparadas a tantos outros artistas gigantes que emplacam hit após hit nas rádios) – ou seja, uma aposta arriscada para as grandes produtoras. Eis que tais fãs agora se mobilizam para eles mesmos trazerem os shows que mais querem ver.
O conceito é simples: calcula-se quanto custaria trazer um artista para cá e se divide esse valor em dezenas de “mini-cotas”. Quem tem interesse em ver o show paga esse valor, que vai para uma espécie de fundo. Se o valor mínimo necessário não for atingido, o dinheiro é devolvido. Caso seja alcançado, o show é realizado – e cada uma das pessoas que pagou antecipadamente torna-se um tipo de patrocinador do evento, com direito a algum mimo, como pista premium – e os demais ingressos passam então a ser vendidos ao público geral.
No Rio de Janeiro, esse tipo de mobilização é capitaneada pelo pioneiro Queremos, que já tornou possíveis shows de Miike Snow e Belle & Sebastian. Os próximos, já confirmados, são LCD Soundsystem e Vampire Weekend. Nesses casos, são artistas que já vinham ao Brasil, mas não passariam pelo Rio – o que acaba facilitando e barateando o custo do evento.








[...] Uma interessante mobilização via Facebook tem chamado atenção esta semana. Cansados de ouvir as supostas confirmações de shows que nunca acontecem no país, fãs da banda Foo Fighters estão se juntando para chamar atenção da banda para o país. A campanha “Foo Fighters 50 Pila”, realizada no Facebook, convida os fãs a se juntar em torno de um mesmo objetivo: cada um pagar R$ 50 e garantir a vinda da banda do país. Apesar de toda a repercussão e dos quase 40 mil adeptos, o conceito não é inédito – já falamos sobre shows realizados por meio de crowdfunding aqui. [...]
[...] tem dúvidas do poder do crowdsurcing e crowdfunding? Já vimos isso acontecer com shows, bandas e filmes menores. Com Iron Sky, o futuro parece ainda mais [...]