Universo estranho

por Patricia Hargreaves, em 28/06/2011 às 5h47

Não. Não é fácil prender a atenção dos meninos. A concorrência é desleal: SMS, games, redes sociais, shopping. Isso sem falar em estudos, música, televisão, tudo ao mesmo tempo e agora. Atenção fragmentada para todos os lados.

Eleita a revista do ano da Editora Abril, a MUNDO ESTRANHO conquistou este título porque vem se firmando na arte de conquistar a atenção daqueles que tinham tudo para engrossar a estatística de que “jovens não leem”. Aqui o negócio é diferente. Não só eles lêem, como gostam e contam para os amigos. O resultado disto é uma revista que cresce em circulação (e continua assim em 2011) em média 20% ao ano.

Desenvolvemos, ao longo dos 10 anos do título, que surgiu como um especial da SUPER, uma expertise em falar com meninos. Com meninos a partir dos 12 anos até os de 60… (brincadeira, mas temos muito leitores que se sentem jovens, mas isto é papo para outro momento). E meninas que gostam além de assuntos de “mulherzinha”.

Se eu tivesse de definir o maior segredo da ME, diria que é o jeito de comunicar com seu público sempre de um jeito divertido, colorido, surpreendente, mas acima de tudo informativo. E prestando muita, mas muita atenção no que eles estão fazendo, consumindo.

Uma vez por mês realizamos uma  avaliação da edição através do MSN. Leitores que se inscrevem e passam por um breve processo seletivo são convidados a dizer o que acharam de cada página da revista. O mesmo acontece via Twitcam, quando dois membros da redação tiram dúvidas para uma plateia (que passam muitas vezes de 200 pessoas).

Este tipo de ação tem nos levado a tomar iniciativas editoriais que sempre se renovam. E, que, claro, seguem tendências internacionais. Teen é teen aqui ou na Noruega!

A reportagem de capa da edição da MUNDO ESTRANHO do mês de julho, por exemplo, reflete algumas das lições que os leitores vem nos ensinando. A primeira delas: meninos são práticos, não tem tempo a perder. Quem conhece a ME sabe que não fazemos rodeio para dar nosso recado. É pá-pum: textos breves e bem escritos para ilustração (criativas, coloridas e surpreendentes) que complementam a informação.

Nada melhor para ser simples e direto do que uma boa lista. Não é à toa que um bando de títulos do tipo “1001 lugares para conhecer antes de morrer” viram best sellers fácil, fácil. Nossa matéria de capa pega carona mesmo neste conceito. E, esperamos, que vire também uma best seller, já que é férias.

Na Amazon.com, títulos de capa dura com listas são mais de 1500. Relatam desde quadros até cervejas.

Ainda neste mês, chamo sua atenção para uma reportagem que me impressionou muito: sobre a Comic Com. Olhe bem, preste atenção. A convenção de quadrinhos que começou nos anos 70, cresceu e apareceu absurdamente. Repara só como subiu a média de público em cada década:

1970 – 300 pessoas

1980 – 5 mil pessoas

1990 – 13 mil pessoas

2000 – 48,5 mil pessoas

2010 – 130 mil pessoas

Impressionante, né?

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