Para termos mais universitários no Brasil

por Fabio Volpe, em 22/08/2011 às 12h27

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Uma pesquisa divulgada no início do mês pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) trouxe um dado muito interessante sobre o ensino superior no Brasil. Do total de alunos das universidades federais, 67% pertencem a famílias com renda mensal inferior a R$ 2 600. Ou seja, cai por terra aquele velho senso comum de que é apenas a população de maior renda que consegue entrar nas nossas universidades públicas.

Diante desse dado fica mais clara a importância da expansão que está ocorrendo na rede de universidades federais do país, que nos próximos anos deverá chegar a 63 instituições. Entre 2006 e 2010, já foram oferecidas 70 mil novas vagas nessa rede, um aumento significativo de mais de 60%.

Até aqui, temos a notícia boa. A ruim é que só o aumento das federais não basta para chegarmos a um nível decente de universitários no país. Hoje, apenas 14% dos brasileiros entre 18 e 24 anos estão matriculados no ensino superior. A meta do governo é levar esse número para 33% até 2020. O problema é que o Brasil não conseguirá atingir tal patamar contando só com as universidades públicas.

Vale lembrar que as universidades privadas são responsáveis por 74% das matrículas no país. E na rede privada o ritmo de crescimento das matrículas está desacelerando. Enquanto entre 2001 e 2005 o crescimento no número de matrículas atingiu uma taxa média de 12% ao ano, no período seguinte, entre 2006 e 2009, a taxa caiu para uma média de 7%, sendo apenas 4% de crescimento em 2009.

Para ajudar os alunos das classes C e D a terem condições de frequentar uma universidade privada, o governo criou importantes programas nos últimos, como o Prouni (que oferece bolsas integrais ou parciais para os alunos) e o Fies (que oferece financiamentos em condições especiais para os estudantes).

Mesmo com esses apoios, as matrículas nas universidades privadas começaram a patinar. Um dos motivos levantados por especialistas é que os programas do governo são focados em ajudar os estudantes de baixa renda a lidar com as mensalidades das instituições. Mas para quem é da classe C ou D existem outros custos que pesam no orçamento na hora de estudar – do preço dos transportes à compra de livros ou mesmo gastos com xerox.

Se quisermos continuar avançando no processo de inclusão dos brasileiros no ensino superior, teremos que lidar com essa questão o mais rápido possível.

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