Uma revolução silenciosa
por Fabio Volpe, em 22/09/2011 às 2h54
Vamos confessar: a gente adora descer a lenha no Brasil. Jornalistas como eu, então, têm isso praticamente como um hobby. Não nego que o “foco no que está errado” tem papel fundamental no desenvolvimento do país. Sem fiscalização, a coisa, de fato, não anda. Mas o que me incomoda é que muitas vezes esse tipo de visão faz a gente desprezar ou não enxergar conquistas importantes.
Levantando alguns dados sobre educação no Brasil, encontrei recentemente as duas informações abaixo:
. Entre 2001 e 2009, o número de matriculados no ensino superior passou de 3 milhões para 6 milhões de estudantes
. Pesquisa divulgada pela OCDE – entidade que articula políticas públicas dos países mais desenvolvidos do mundo – mostra que quem faz uma faculdade no Brasil pode aumentar seus rendimentos em até 156%
Basta juntar essas duas informações para se ter uma ideia da revolução silenciosa que está ocorrendo em nossa sociedade. É claro que a qualidade da maior parte das universidades deixa a desejar. É claro que ainda temos menos de 20% dos jovens no ensino superior e que esse avanço poderia seguir num ritmo, digamos, mais coreano. Mas também é sempre bom lembrar que temos uma população quatro vezes maior que a da Coreia, país que não tem nem 2% do nosso tamanho continental.
Continuar cobrando mais avanços é imprescindível. Mas não enxergar e não valorizar as conquistas alcançadas pode ser o primeiro passo para desestimular um desenvolvimento contínuo.










