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| 17/11/2009 |
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| Mulheres e redes sociais: conselhos e consumo |
Duas pesquisas recentes mostram a relação que as mulheres jovens têm com as redes sociais. Essa plataforma permite que elas ampliem os pontos de contato com suas amigas e consigam levar para a internet formas de relacionamento que apresentam no mundo real.
Um desses estudos mostra como a nova geração de mães utiliza as redes sociais para trazer conveniência à nova vida em família. De acordo com estuda da agência The Parents Network, 79% das mães de primeira viagem pertencem à Geração Y – aquelas nascidas entre 1977 e 1996. Ou seja, são mulheres que cresceram com internet, email, SMS e mensagens instantâneas.
Esse público usa as redes sociais para manter contato com a família e organizar o dia-a-dia: 65% delas usam 5 ou mais tecnologias por dia e 55% fazem álbuns digitais ao invés de tradicionais. Mas o mais importante é que, morando cada vez mais longe dos membros de sua família – pais, tios, avós –, elas precisam de ajuda adicional para passar por essa fase de transição em suas vidas. As comunidades online e os blogs estão, por exemplo, substituindo livros tradicionais na busca de informações a respeito de como criar seus filhos.
Outro estudo mostra que as mulheres dessa geração – mães ou não – são mais dispostas a utilizar essas ferramentas para descobrir novas marcas e produtos: 42% delas dizem que conheceram algo novo a partir de uma atualização online feita por uma amiga. E 31% afirmam que possuem alguns blogs favoritos que leem com frequência.
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| 10/11/2009 |
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| Redes sociais: mais do que pontos de encontro |
Estudo divulgado pela China Youthology mostra como os jovens chineses interagem com as redes sociais. Porém, muito do que se vê naquele país é refletido no comportamento dos jovens por aqui e em outras partes do mundo.
As redes sociais permitem com que os jovens mudem a forma como realizam atividades relacionadas a quatro pilares: expressão, conexão, aprendizado e diversão.
Expressão: as redes possibilitaram uma mudança na forma de auto-expressão dos jovens, com uma fusão entre o "eu real" e o "eu virtual". Eles transitam entre um mundo e outro com facilidade e aproximam os dois. A linguagem usada no mundo virtual está sendo transferida pro real e o que eles fazem no real é, simultaneamente, transmitido ao virtual, por meio de tweets, posts, vídeos - o que é facilitado com a internet móvel e produtos específicos para twittar ou filmar vídeos para o YouTube.
Conexão: os jovens têm que aprender a lidar com uma grande quantidade de redes e conexões no mundo virtual. Eles aprendem a filtrar amizades e comunidades das quais fazem parte - e equilibram as informações que podem divulgar, para preservar seus espaços privados.
Aprendizado: as informações que os jovens procuram nas redes sociais são aquelas referentes aos seus amigos e aquelas transmitidas pelos seus amigos. Nas redes, informação é uma espécia de "moeda social" - a posse dela garante que os jovens se encaixem e pareçam mais "cool".
Diversão: os jovens vão para as redes também em busca de diversão. Aplicativos no Facebook tornam-se febre entre eles - que podem competir entre si, em qualquer lugar do mundo e fazer com que seus amigos acompanhem seus desempenhos. Eles também conseguem descobrir músicas que os outros estão ouvindo, livros que estão lendo e vídeos que estão vendo. É um consumo de diversão rápida.
Para as marcas, as redes sociais não podem ser apenas um ponto de contato com os jovens - da mesma forma que, para eles, não são apenas um ponto de encontro. Cada vez mais eles existem dentro das comunidades, e são nelas onde uma marca deve entrar. Não realizar apenas campanhas, mas sim contar histórias contínuas - deve fazer parte da vida do jovem nas redes de forma a criar sua própria identidade.
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| 9/11/2009 |
| Os gráficos que podem mudar o mundo |
por FERNANDA VIÉGAS*

A Guerra da Crimeia acontecia no mar Negro, entre 1853 e 1856: um conflito sangrento entre a Rússia e uma coligação entre Inglaterra, França e Império Otomano. Uma guerra normal, com os feridos e mortos de sempre. Mas, às vezes, temos a capacidade de aprender com as tragédias. E esse foi o caso das fatalidades na guerra: elas causaram uma revolução nos hospitais do mundo que, ainda hoje, reduz bastante o risco de morte por infecção hospitalar.
O cerne dessa revolução foi uma imagem. Uma imagem que não mostra campos de batalha, soldados feridos ou crianças mortas. É uma imagem de números - um gráfico. Florence Nightingale, uma enfermeira inglesa, resolveu usar estatísticas sobre a morte de soldados para pintar um retrato da situação. O diagrama revelou que a maioria dos soldados morria nos leitos de hospitais, e não nos campos de batalha - eram 10 vezes mais mortes causadas por tifo, cólera e disenteria do que por ferimentos de batalha. A falta de ar fresco, luz e higiene nos hospitais provocava milhares de mortes desnecessárias. Era a primeira vez que se via fatalidades militares com números - e o diagrama era tão dramático que o governo inglês resolveu melhorar as condições sanitárias dos hospitais militares. E, assim, reduziu a mortalidade de soldados de 42% para 2,2%. Tudo graças a uma imagem.
Visualização é isso: o poder de contar histórias e tomar decisões baseando-se em dados. Visualizações fazem com que assuntos complexos se tornem concretos e acessíveis. Em 2006, por exemplo, Al Gore transformou o debate mundial sobre aquecimento global ao subir em um guindaste para mostrar uma curva que representava o aumento de CO2 e da temperatura na Terra. Imagine se Al Gore, em vez de gráficos, tivesse mostrado apenas uma tabela de centenas de números? Quantas pessoas teriam entendido a gravidade da situação?
É por isso que a visualização é o fotojornalismo do século 21. Não só retrata os fatos da nossa época, mas motiva o debate. Visualizar dados governamentais, por exemplo, cria um espelho do país, mostrando suas conquistas e mazelas. E fazer isso não precisa ser complicado. Já há sites que disponibilizam, de graça, ferramentas sofisticadas de visualização. Quando eu criei o Many Eyes, imaginei um site onde qualquer um pudesse visualizar os dados que desejasse. Há pessoas que o usam para enxergar o conteúdo do freezer. Outras, os convidados de seu casamento. Crianças descobrem os tipos de meias que têm em casa. A habilidade de transformar números em imagens e entender o que elas significam será cada vez mais importante. Pois quem brinca de visualizar meias de familiares hoje visualiza o orçamento governamental amanhã.
*Fernanda Viégas é pesquisadora e designer computacional na IBM, com Ph.D pelo Media Lab do MIT. Ela é uma das criadoras do Many Eyes e será uma das palestrantes do TEDxSP.


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| 3/11/2009 |
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| Sociedade protetora dos homens |
por PAULO SALDIVA*
O Brasil possui um excelente conjunto de leis de proteção ao ambiente. Nossos patrimônios naturais exuberantes assim o merecem. É uma pena, porém, que uma espécie tenha sido excluída da agenda ambiental - a espécie humana. Exemplo prático: a construção do rodoanel viário de São Paulo foi somente autorizada após a conclusão de extenso estudo de impacto ambiental, para minimizar os impactos da passagem de tráfego pesado sobre o cinturão verde e os mananciais. Essa é uma conduta adequada e necessária. Agora, pergunte se o mesmo cuidado é tomado quando as autoridades, para desafogar o tráfego, criam novas alternativas de escoamento de veículos através de zonas residenciais que, de relance, transformam-se em áreas de grande emissão de poluentes. Provavelmente não.
Ocorre que nos últimos 20 anos houve uma revolução no conhecimento científico sobre os efeitos da poluição do ar na saúde humana. Hoje, sabemos que partículas finas emitidas pelos veículos se depositam profundamente em nossos pulmões. O ozônio, formado na atmosfera a partir de poluentes emitidos por veículos e indústrias, agride mucosas e vasos sanguíneos. Estudos desenvolvidos por vários grupos de pesquisa do Brasil indicam que a poluição do ar da Região Metropolitana de São Paulo causa mortalidade prematura de cerca de 20 pessoas ao dia. Mais ainda, 1 em 10 internações por doenças dos sistemas respiratório e cardiovascular tem alguma relação com a poluição atmosférica.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) já percebeu essa relação de causa e efeito. Tanto que, em 2006, estabeleceu novos padrões de qualidade do ar tendo por base reduzir os impactos sobre a saúde humana. Vários países seguiram a conclusão da OMS. O Brasil, no entanto, manteve os patamares adotados nos anos 90 - uma época em que sabíamos cerca de 10% do que sabemos hoje sobre os efeitos dos poluentes no corpo humano. Resultado: os padrões da OMS são 3 vezes menores do que os adotados no Brasil. Desconheço algum argumento médico que indique que os pulmões e as coronárias dos brasileiros sejam 3 vezes mais resistentes do que os dos nossos irmãos europeus ou americanos.
Padrões ambientais permissivos são o caminho mais direto para os combustíveis de má qualidade e a tecnologia automotiva antiquada que temos circulando pelas ruas do Brasil. E uma das conseqüências do problema está no enorme custo financeiro do sistema de saúde: apenas na Região Metropolitana de São Paulo, estamos falando em mais de US$ 1 bilhão ao ano. Excluir o homem da agenda ambiental é socialmente injusto, agride a cidadania e também prejudica a economia. Passou da hora de incluirmos a saúde humana na agenda ambiental. A sociedade dos homens agradecerá.
*Paulo Saldiva é chefe do serviço de patologia do Inst. do Coração da Faculdade de Medicina da USP e coordena o Inst. Nacional de Análise Integrada de Risco Ambiental do CNPq. Paulo é um dos palestrante do TEDxSP, evento para disseminar as melhores ideias.


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