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30/7/2010
Pense com infográficos

Por Rafael Kenski


Infográficos são uma maneira interessante de mostrar uma grande quantidade de dados, como sistemas funcionam ou de explicar idéias de modo divertido (alguns exemplos legais estão no site da SUPER). Estão cada vez mais populares em revistas e sites, mas são muito mais poderosas do que isso. Infográficos são, na verdade, uma maneira de pensar, e que se torna cada vez mais reconhecida em várias áreas. Engenheiros, psicólogos, filósofos... todos parecem estar adotando para si mesmos o lema: “Não entedeu? Então desenha!” Vale a pena praticar – não só facilita a vida como coloca você em uma das tendências mais novas e, como veremos abaixo, também mais antigas.

Segue então a grande e incrível história de como se pensar com infográficos. Não é completa, então escreva para nós caso eu tenha esquecido algum episódio importante. E, só pra ser diferente, vou apresentá-la de trás para frente:

2010 – Notas Visuais

A última edição do festival SXSW, nos Estados Unidos, incluiu um workshop sobre como tirar acompanhar eventos, e palestras com “notas visuais”, como no exemplo acima, tirado daqui. A idéia é pegar os itens essenciais de cada conversa, desenhá-los no papel e mostrar relações com linhas, balões e símbolos. Ao final, mesmo que você não desenhe muito, terá uma imagem legal que explica tudo o que aconteceu de forma direta.

 


1970 – Rich Pictures


Começaram a ser criados por engenheiros na década de 70, mas se popularizaram mesmo só na última década. São ferramentas para resolver problemas em que a engenharia se mistura com opiniões, conflitos e toda essa bagunça que emerge quando você lida com seres humanos. A solução foi começar a planejar o sistema a partir de rabiscos engraçados – uma novidade radical no de outra forma sisudo dos engenheiros. Você coloca o problema no meio e vai desenhando em volta tudo quanto é palpite ou pedido que as pessoas tenham sobre ele. Mas cuidado: a ilustração tem que trazer emoção e ser divertida, para facilitar a visualização e o raciocínio (do contrário, vira um diagrama qualquer). Abaixo, um exemplo retirado daqui:

Século 3 a.C –Mapas Mentais


É uma forma de pensar com diagramas. Coloque o tema no centro e vá escrevendo conceitos e palavras chaves ao redor, relacionando com setas e cores. Existem algumas regras feitas recentemente que estruturam melhor o processo, mas costuma-se localizar o surgimento da técnica no século 3 a.C, com o filósofo Porfírio de Tiro, um neoplatônico que fazia desenhos para entender e avançar as idéias do ainda mais antigo Platão.

3000 a.C – Diagramas



Grande parte da geometria surgiu com pequenos desenhos para explicar o que os matemáticos estavam pensando. Daí depois foi só passar esses gráficos todos para fora da matemática.

5000 aC – Logogramas



A escrita surgiu quando se começou a desenhar o que se estava pensando. Os logogramas –imagens que representam idéias ou conceitos – são a primeira forma de se registrar idéias, que por sua vez surgiram de desenhos pura e simplesmente. Com o tempo, eles evoluíram para representar fonemas em vez de objetos, dando origem ao modo como você escreve hoje, cheio de palavras e textos que fazem a gente esquecer o quão útil é pensar com desenhos.




29/7/2010
Jogos sociais viram negócios gigantescos

Por Rafael Kenski


Um dos mercados de videogames que mais crescem não está no Xbox ou no Playstation, mas sim no Facebook. São os jogos sociais, que usam os recursos das redes para fazer com que amigos colaborem ou compitam entre si. O lucro vem em grande parte de itens que podem ser comprados para melhorar a experiência do jogo – algo que pode parecer meio inútil, mas que gerou um mercado que chegará a 825 milhões de dólares neste ano. Além disso, o setor não deixa de trazer novidades. Abaixo, três exemplos de como eles estão dominando o mundo.

1 – Farmville se mistura a comidas de verdade

Se você está no Facebook, você só tem duas opções: ou ser um dos 20 milhões de pessoas que viciaram no jogo Farmville, ou ser parte do resto dos usuários e reclamar da quantidade de posts relacionados a ele que aparecem na sua página inicial. Feito pela Zynga – a empresa líder em jogos sociais, com mais de 211 milhões de jogadores por mês – o Farmville convida as pessoas a criar sua própria fazenda. Além de vender bens virtuais para enriquecer o minifúndio dos jogadores, a Zynga começou a misturá-lo com a vida real. Em maio, uma marca de verduras e legumes incluiu um código em seus produtos que poderiam ser trocados por créditos no Farmville. Agora, outra marca, a Cascadian Farms, de alimentos orgânicos, pretende colocar seus produtos dentro do jogo: você pode plantar alimentos com a grife dela na sua própria fazenda.

Mais aqui.

 

2 – A aposta do Foursquare para crescer: ainda mais jogos

Sites de localização são uma das áreas mais novas e disputadas da internet – até o Google e o Facebook apostam nele. São, em resumo, serviços em que você informa aos seus amigos e contatos o lugar onde está. Eles podem servir para milhares de coisas – desde fazer uma lista dos lugares por onde você esteve até encontrar amigos que estejam por perto – mas quase todas as empresas apostam em outro recurso para chamar usuários: jogos. Variam de acordo com o site, mas, em geral, quanto mais você registra lugares por onde passa, mais ganha medalhas, pontos e regalias. Com essa fórmula, o Foursquare se tornou um dos principais, hmm, players, do mercado. Agora, com a concorrência apertando, revelou que a nova estratégia é investir em ainda mais jogos. A idéia é usar a cidade como um tabuleiro de jogos, criando, por exemplo, histórias do tipo “Choose-your-own-adventure”, iguais àqueles livros em que você decidia o rumo da história. Tente imaginar: “Você encontrou um monstro na Av. Paulista. Se quiser correr, vá para a Rua Augusta. Se for lutar, siga para a Av. Consolação”.



Mais aqui.

 

3 – A Disney entra no jogo

A Disney acabou de comprar a Playdom, a terceira mais popular empresa de jogos do Facebook, em uma negociação que pode chegar a 763 milhões de dólares. Ainda não se sabe muito bem os planos, mas tomara que envolva criar jogos sociais baseado nos personagens e filmes da marca.

Mais aqui.



27/7/2010
A internet resolve crimes – e isso pode ser ruim

Por Rafael Kenski


Em caso de roubo, corra para o Twitter. Não é uma piada, mas algo que tem acontecido um bocado mundo afora. No início do ano, uma bicicleta roubada em Nova York foi reencontrada em apenas duas horas e meia, depois que o dono mobilizou os amigos via Twitter. Um caso mais extremo aconteceu em 2006, também em Nova York. Ivanna perdeu seu telefone Sidekick em um taxi e percebeu, alguns dias depois, que uma menina chamada Sasha o estava usando (esse tipo de telefone armazena automaticamente as fotos e contatos na internet). Quando ligava para pedir a devolução do aparelho, recebia recusas e ofensas, e a polícia se recusava a agir no caso por considerá-lo pequeno. Um amigo de Ivanna criou então um website explicando o caso e pedindo ajuda. Em poucos meses, milhões de visitantes descobriram cada detalhe da vida, da família e dos amigos de Sasha; escreveram músicas sobre ela; fizeram barulho em frente a seu apartamento e chamaram a atenção de jornais, que acabou convencendo a polícia a ir atrás do telefone e trazê-lo de volta.

Em nenhum lugar do mundo esses vigilantes online fizeram tanto sucesso quanto na China, onde receberam o nome de “ferramentas de busca humanas”. Não tem nada a ver com o que o Google faz: são, na verdade, fóruns online onde pessoas discutem crimes ou atos moralmente condenáveis e, de vez em quando, resolvem agir contra o acusado. Elas já foram usadas contra políticos corruptos, um marido cujo adultério levou a mulher ao suicídio, autores de comentários tidos com pouco patrióticos e muitos outros. Começa com alguém descrevendo os atos de uma pessoa e pedindo informações sobre ela. Alguns desses casos explodem e se tornam uma gigantesca ação contra o acusado. Discutindo via internet, eles descobrem informações que vão desde nome e endereço até dados bancários e números de telefone. Entram em contato com amigos, chefes e colegas exigindo que a pessoa seja demitida ou punida de alguma forma. Em muitos casos, a vítima perde emprego, precisa mudar de cidade e seu negócio vai à falência. Por ser obra de anônimos agindo pela internet, quase nunca alguém é punido por ter participado de uma “ferramenta de busca”: em apenas um caso, a vítima ganhou pequenas reparações na justiça.

E, é claro, às vezes o alvo de grupos parecidos é inocente ou menor de idade. Nessa semana, Jessi Slaughter, uma americana de 11 anos, publicou um vídeo cheio de ofensas e palavrões em resposta a pessoas que a acusaram de ter tido relações sexuais com um cantor. As imagens se espalharam pela internet, e alguns grupos online partiram para o ataque. Fizeram ameaças por telefone, reuniram informações sobre a família e enviaram pizzas para o endereço dela. A situação piorou ainda mais quando o desavisado pai gravou outro vídeo em que diz ter rastreado os agressores, que enviaria os dados à “cyber-polícia” e que – no melhor estilo “puta falta de sacanagem” – “as  consequências nunca mais serão as mesmas”. Veja o vídeo. Atualmente, a família de Jesse está sob proteção policial.

As novas formas de fazer justiça online são ainda bem pouco compreendidas. Por um lado, elas cobram mais eficiência do governo, resolvem problemas e corrigem injustiças. Por outro, elas podem servir como julgamentos feitos pela própria multidão, seguidos de um linchamento que destrói a vida, a reputação e a privacidade de uma pessoa. Nenhum governo sabe ainda como lidar com a situação. Estados Unidos e União Européia tem, por exemplo, leis de defesa da privacidade, mas elas foram feitas para limitar a ação de empresas, e não de uma multidão online (o Brasil sequer tem essas leis). Além disso, cada pequeno ato em si – como publicar o nome de um membro da família ou o colégio onde alguém estudou – não é um crime: a agressão surge só quando você reúne todas essas mínimas ações. Esse é mais um motivo pelo qual iniciativas para acabar com o anonimato na rede ganham tanta força.


26/7/2010
Como transformar tarefas domésticas em jogo

Por Rafael Kenski


Nos videogames, é fácil ficar horas coletando itens, trabalhando e construindo um universo. No mundo real, é bem chato ficar nem que seja 10 minutos lavando a louça. Agora, um site e um aplicativo de iPhone estão tentando juntar o melhor dos dois: o lado viciante do videogame com as vantagens de se fazer o que é preciso na vida real.

O Chore Wars cria um jogo em que a única maneira de se ganhar pontos é cumprindo tarefas domésticas. As pessoas que moram na casa definem os trabalhos que precisam ser feitas e o número de pontos que cada um vai valer (a regra geral é dar um ponto para cada minuto que a tarefa exige). A partir daí, você pode comprar itens virtuais, aumentar o ranking do seu personagem, entrar em combates, realizar expedições e outras ações típicas de jogos. O objetivo é fazer com que os moradores da casa entrem em uma disputa que, no final, resolve todos os problemas e arruma o ambiente.

O sistema acabou virando também um aplicativo de iPhone. O EpicWin faz basicamente a mesma coisa, mas pode ser levado no bolso para facilitar a atualização de tarefas e os ponto que você ganha em cada uma.


23/7/2010
As disputas entre os influentes

Por Rafael Kenski

Duas competições nos últimos meses tem um objetivo semelhante: desafiar você a mostrar o quão influente é no Twitter.

O primeiro foi o Don’t Tell Ashton (“Não conte ao Ashton”, em inglês), um projeto sueco que para criar um quadro feito de pequenas imagens de perfis no Twitter. Quanto mais seguidores, maior a foto de cada pesso. Se o perfil mais popular do Twitter decidisse entrar na brincadeira, não haveria mais espaço para ninguém – e o nome do projeto vem do fato de que, na época, essa pessoa era o ator Ashton Kutcher (hoje é a cantora Britney Spears). Em junho, com o quadro completo, os autores o presentearam ao próprio Ashton Kutcher.

Um outro quadro parecido foi feito pela revista americana Fast Company. É o Influence Project que também quer fazer um painel com fotos de perfis do Twitter, cada um com um tamanho proporcional à influência. Só que, dessa vez, não vale o número de seguidores, e sim quantas pessoas você consegue indicar para o projeto. O resultado final aparecerá na capa da revista em novembro.

O njovem não poderia ficar de fora, veja aqui.



22/7/2010
Como transformar as ruas em museus

Por Rafael Kenski


Cada lugar tem um monte de histórias pra contar. E, agora, a tecnologia torna mais fácil conhecê-las. Veja abaixo duas iniciativas legais:


O Museu de Londres criou um aplicativo para iPhone que traz fotos históricas de onde você estiver na cidade. Você usa um mapa ou o GPS do celular para indicar sua posição e ele mostra como era a região em algum momento do passado. Também faz uso de realidade aumentada: você pode sobrepor imagens históricas à imagem da câmera. Fica mais ou menos assim:



É uma comunidade que busca mapear locações de filmes em todo o mundo. São mais de 3500 cenas que foram relacionadas a algum lugar do mundo, mas ainda é pouco: uma busca por cenas em todo o Brasil retorna apenas 20 resultados. Mas deve crescer e, se quiser, você mesmo pode entrar colaborar no mapa a sua cena favorita. 


21/7/2010
A internet quer saber sua identidade

Por Rafael Kenski


Estão querendo acabar com o anonimato na internet. Na década de 90, pesquisadores defendiam que uma das grandes vantagens da rede era dar a qualquer um a identidade que quisesse: você poderia se representar como homem, mulher, criança, velho, pirata ou ninja. Agora – com o surgimento de um grande cardápio de crimes online que vão de comentários ofensivos a cyberterrorismo – está crescendo a idéia de que as pessoas devem usar seus verdadeiros nomes, endereços e fotos na internet.

Mas o anonimato também tem seus defensores. Muitos acreditam que ele é um recurso importante da internet, por permitir que pessoas expressem sua opinião sem sofrerem represálias ou ainda como forma de garantir a privacidade. Uma das grandes batalhas nessa discussão aconteceu há poucas semanas, quando a Blizzard, empresa por trás do jogo online World of Warcraft, anunciou que iria obrigar os jogadores a usar seus nomes verdadeiros em fóruns. A reação dos jogadores foi tão forte que a empresa abandonou os planos (http://gigaom.com/2010/07/08/should-you-be-forced-to-admit-that-you-have-a-dark-elf-army/). Faz sentido: nem todo mundo se sente a vontade para contar que, à noite, leva uma segunda vida como Orc ou elfo.

Para o bem ou para o mal, surgem várias iniciativas para forçar as pessoas a se identificar. Algumas delas:

1.      Use Facebook, Google ou Microsoft

O Facebook é um dos poucos pedaços da rede onde quase todo mundo usa sua identidade verdadeira. Por conta disso, empresas que querem eliminar os anônimos baseiam seus aplicativos no site. É o caso do serviço de respostas Quora (leia abaixo) e do site CloudCrowd , que contrata pessoas para realizar pequenos trabalhos online a partir do Facebook. É claro que sempre é possível criar um perfil falso para essas tarefas, mas, além de dar trabalho, fica mais fácil de reconhecer a malandragem.

Algo parecido poderia ser feito também com a identidade em outros sites. A Microsoft e o Google, por exemplo, já usam um mesmo nome de usuário para dar acesso a emails, customizar buscas, registrar comentários em blogs e vários outros serviços. É possível que eles se espalhem ainda mais pela rede.

2.      Cobre para comentar

Cansado de comentários idiotas ou ofensivos, o jornal americano “The Sun Chronicle” anunciou na semana retrasada que vai cobrar para que os leitores escrevam comentários. Não é grande coisa – apenas 99 centavos – mas força os leitores a revelar o cartão de crédito e, portanto, o verdadeiro nome.

3.      Carteira de identidade online

O governo americano está estudando a proposta de criar um sistema de “identidade voluntária”. As pessoas se registrariam suas informações nesses serviços e ganhariam acesso a vários serviços online. Ainda é bastante polêmico. Especialistas em segurança dizem que é muito pouco para resolver os problemas. Defensores da privacidade avisam que isso pode ser um primeiro passo em direção ao um Big Brother online. Pode, no entanto, ser uma forma de aumentar a segurança nas transações comerciais pela rede – algo que hoje funciona um bocado com as leis do velho oeste.


20/7/2010
Quora, o novo site de perguntas

Por Rafael Kenski



Empresários da internet estão investindo milhões em novos sites de perguntas e respostas. No mês passado, abriu para o público o Quora (www.quora.com), um site parecido com o Yahoo Respostas, mas turbinado pelo Facebook. Você pode acompanhar novas perguntas nos tópicos que o interessam, sugerir tópicos para amigos ou escrever respostas. Como as pessoas usam a própria identidade no Facebook, é mais fácil saber quem tem ou não autoridade para responder uma pergunta. As questões postadas ficam eternamente abertas para respostas, e a idéia é que cada uma seja não só um repositório de conhecimento sobre determinado tema como também um ponto de encontro para pessoas interessadas nele. Pode ajudar qualquer um a espalhar novidades: cada resposta que você escrever vai atingir todos os usuários do Quora interessados nela. A iniciativa pareceu tão promissora que o próprio Facebook anunciou que vai criar seu sistema de perguntas e respostas. Ninguém tem muitos detalhes, mas a disputa será interessante.



19/7/2010
O novo jeito de contar histórias via iPad

Por Rafael Kenski


O aplicativo Touching Stories traz apenas quatro histórias – mas contadas de um jeito tão diferente que podem se transformar em uma nova arte. São contos que misturam vídeos, jogos e textos, feitos para se acompanhar com o dedo na tela. Uma delas, chamada “O Casal Mais Interessante da Grã-Bretanha”, abre com duas pessoas conversando enquanto tomam chá. Ao terminar, você pode rever a cena com novas informações, como o pensamento de cada um dos personagens (incluindo o cachorro). A partir daí, a história evolui de acordo com os seus cliques. Você pode escolher finais mais felizes ou tristes, mudar personagens de lugar, interagir com elementos, abrir páginas na internet relacionadas com a história ou pausar a narrativa para estudar o que acontece em cada cena.

O aplicativo inclui quatro contos nesse estilo, cada um com uma novidade: em outro, você precisa chacoalhar o iPad em uma delas para fugir de tiros, por exemplo. Os autores já estão conversando para fazer mais filmes, livros, jogos e, claro, anúncios, baseados nas novidades.



16/7/2010
Os blogs ainda têm futuro?

Por Rafael Kenski


Oito anos atrás, eles eram tidos como o futuro do jornalismo e da internet. Agora, com tanto barulho em torno de redes sociais e internet para celulares, blogs parecem um meio de comunicação prestes a ser superado. Eles ainda servem para alguma coisa? Para responder a pergunta, vamos ver abaixo alguns argumentos:


Estão surgindo desertos de blogs


Uma matéria recente da revista The Economist citou pesquisas que detectam a existência de centenas de milhares de blogs sem qualquer atualização no último ano. Em muitos lugares – como Indonésia e Irã – essas páginas viraram fantasmas com a popularização do Facebook. Notícias e histórias passaram a ser contadas de forma mais rápida nas redes sociais. Para a revista, o futuro dos blogs parece ser publicações de interesse específico, para assuntos como política, economia, culinária e artesanato.


A matéria tá aqui: http://www.economist.com/node/16432794


Eles ainda dão origem a impérios


Uma rede milionária de sites surgiu nos últimos três anos, totalmente baseada em blogs. É a Cheezburger Network, dona de algumas das páginas mais ridículas (e divertidas) da internet. Começou com um blog sobre LOLcats (um tipo de, hmm, mídia que consiste em fotos de gatos em poses engraçadas com uma legenda abaixo) e depois se expandiu para diversos blogs com uma estrutura parecida. Um deles mostra acidentes, outro conversas constrangedoras no youtube, outro é sobre placas escritas em inglês errado, outro sobre jornalistas pagando mico, ou sobre gráficos engraçados e por aí vai. Todo o conteúdo é sugerido (e feito) pelos próprios leitores, que enviam as fotos, escrevem as legendas – são mais de 18 mil sugestões de por dia. Vendendo anúncios, camisetas e livros baseados nas imagens, a empresa foi lucrativa desde o primeiro dia e deverá ter um faturamento acima dos sete dígitos nesse ano, segundo uma matéria do New York Times: http://www.nytimes.com/2010/06/14/technology/internet/14burger.html?ref=business


Existem novos tipos de blog, mas as ferramentas tradicionais ainda dominam


Blogs negociam espaço com ferramentas bem parecidas, como fotologs, Tumblr e Posterous. Eles são uma evolução do meio: procuram, cada um ao seu jeito, aumentar ao máximo a facilidade de uso, estimular posts rápidos (muitas vezes com só uma foto ou vídeo), ser atualizados por celular ou se interligar a outras redes sociais. Uma pesquisa feita pelo serviço de análise de dados Postrank esse ano, no entanto, concluiu que os serviços que oferecem mais engajamento – mais comentários, links e publicações em redes sociais – ainda são ferramentas tradicionais de blog como Blogger e Wordpress. Isso indica que a primeira onda de blogs gerou publicações que já se estabeleceram como parte importante da mídia. A pesquisa está aqui: http://www.readwriteweb.com/archives/surprise_traditional_blogging_platforms_still_reig.php


Parecem estar em desuso pelos jovens


É uma questão meio polêmica ainda. Uma pesquisa feita pelos site BlogHer e iVillage (leve em conta que são serviços de blog) mostrou que jovens entre 18 e 25 são os maiores usuários de blogs: cerca de 40% escrevem neles e 30% costuma lê-los. Outro estudo do Pew Research Center mostrou que uma geração ainda mais nova – abaixo de 18 anos – já trocou blogs pelas redes sociais: em 2006, 28% dos jovens entre 12 e 17 eram bloggers, enquanto hoje são só 14%. Ambos os estudos, no entanto, têm problemas de metodologia suficientes para deixar a questão ainda em aberto.


Mais sobre a questão aqui: http://www.pewinternet.org/Reports/2010/Social-Media-and-Young-Adults.aspx


Veredito


As redes sociais estão tomando grande parte da popularidade dos blogs. Em especial, o velho uso de blogs para contar notícias sobre a vida, conversar com amigos e mostrar fotos e vídeos parece estar agora nas mãos das redes sociais. Entretanto, eles ainda têm sua utilidade. Ao contrário do Facebook, eles permitem textos longos e detalhados, acessíveis por ferramentas de buscas e capazes de serem comentados por qualquer pessoa (e não apenas pelos seus amigos). São recursos importantes para alguns tipos de conteúdo – de política a piadas – e provavelmente darão uma vida longa aos blogs.



14/7/2010
Grande rede de jornais vai tentar se tornar “open source”.

Por Rafael Kenski


A Journal Registry Company – uma rede de 18 websites e jornais nos Estados Unidos – anunciou mudanças em suas operações para torná-los mais “abertos”. Foram duas medidas principais:

Usar ferramentas abertas

Em primeiro lugar, em vez de publicadores e ferramentas de blog próprias, passará a usar apenas ferramentas online ou de código aberto. Significa trocar o Word por Google Docs, a ferramenta de blog customizada por Wordpress e até usar ferramentas de anúncios ou contabilidade não proprietárias. Não é uma decisão fácil e com certeza dará origem a um bocado de problemas. A curto prazo, os sites precisarão ser readaptados para aceitar as novas ferramentas . E, mais difícil ainda, a equipe precisará se acostumar a trabalhar do novo jeito. A longo prazo, ela poderá ter o problema de que todos os seus dados – dos textos à receita com publicidade – estarão em servidores de outras empresas, o que é um risco para informações sigilosas.

No entanto, a mudança faz sentido. Usar ferramentas externas permite trabalhar com o que de melhor existe no mundo. Abrir o código das existentes permite que programadores externos ajudem a empresa a melhorá-los. O único risco é perder um diferencial da concorrência: qualquer outra empresa pode usar os mesmos serviços. Mas, em jornalismo, essas ferramentas não são nada estratégicas, não é delas que sai o diferencial de um jornal. Uma empresa de notícias é melhor do que o outra porque ele tem informações melhores, uma comunidade mais engajada, mais apuração e textos mais divertidos, e não porque usa uma ou outra ferramenta de blog.

Abrir pautas

É ainda novo e difícil de saber se vai dar certo. Mas é interessante. Os leitores poderão ajudar na apuração de matérias, em algumas pautas que cada jornal decidir. Pode funcionar em apurações onde os assuntos são conhecidos, mas tem o problema de transformar qualquer furo em algo acessível a todos.



13/7/2010
O segredo de um campeão do Cannes Lions

Por Rafael Kenski


Um dos grandes vencedores do Cannes Lions desse ano foi o filme Last Call. Ele funciona mais ou menos como os filmes do tipo “escolha-a-sua-aventura” do Youtube: em alguns momentos, ele apresenta opções – direita ou esquerda, ficar ou sair, etc – que mudam o final da história. No entanto, ele tem duas grandes diferenças.

A primeira é que ele foi feito para o cinema, cabendo a uma pessoa na platéia escolher qual direção tomar. O segundo é que ele é feito por celular. Antes de o filme começar, os espectadores informam o número do telefone. No meio da história, um personagem na tela liga para um desses números cadastrados e conversa com a pessoa na platéia. Um sistema de reconhecimento de voz entende o comando dado pelo telefone e, dessa maneira, vai traçando o caminho na árvore de finais possíveis.

 Além de permitir muitas variações do filme, ele ainda cria uma experiência social: a platéia inteira vai gritar e sugerir ações para quem atender o telefone.



12/7/2010
Lost London – ou como criar um jogo com custo quase nenhum

Por Rafael Kenski


A designer de novas mídias Emilie Giles criou um jogo a partir de estações de metrô abandonadas em Londres. Tudo o que ela fez foi desenhar um novo mapa do metrô que inclui 14 estações já fora de uso e criar um blog no Posterous. A partir daí, convidou as pessoas a procurarem essas estações, fotografarem a busca e enviarem as imagens para o blog dela. Parte da história também pode ser contado pelo Foursquare ou por meio de tags no Twitter. E, por enquanto, é só: a idéia é que as regras vão se evoluindo a partir da participação dos jogadores. A autora diz que a idéia foi baseada em noções de psicogeografia, a forma como cada lugar impacta a emoção e o comportamento das pessoas.

É bem simples, mas tem um bocado de questões interessantes. Em primeiro lugar, é um uso legal de conteúdo: ela tinha nas mãos o mapa, e resolveu fazer algo melhor do que uma matéria com ele. Em segundo, o próprio jogo pode revelar novas informações sobre essas estações e sobre Londres em geral – é como se fosse uma apuração coletiva dos lugares esquecido do metrô. Em terceiro, não há nada complexo: praticamente qualquer um poderia criar esse jogo em algumas horas.

Links:




8/7/2010
Marketing promove iniciativa

Por Rafael Kenski


Algumas das iniciativas mais legais do último ano foram parecidas com um simpósio. São projetos que apenas escolheram pessoas legais e as colocaram para conversar, colaborar ou realizar disputas. Veja abaixo três exemplos interessantes:

Seven on Seven

Um projeto que recrutou sete artistas e sete especialistas em tecnologia (como alguns dos desenvolvedores do Google, do Facebook, do Wordpress e do Tumblr) para criarem coisas em duplas. O resultado, anunciado em uma conferência no último mês, incluiu um sistema de compartilhamento de guarda-chuvas que gravariam histórias com GPS e câmeras por onde passassem; uma estátua que só se moveria quando ninguém a estivesse vendo; uma ferramenta para celebrar e dar os parabéns cada vez que você escrevesse um post no seu blog e um site que cobraria uma taxa cada vez que você sentisse culpa por algo que fez e encaminharia o dinheiro para caridades.


Nike 78

O estudante britânico Paul Jenkins conseguiu pela sua faculdade 78 pares de tênis Nike para usar em um projeto. Ele então enviou cada um para agências ou designers para que eles pudessem “questionar a função” deles. O resultado do projeto foram 78 idéias de como usar um tênis sem ser para andar. As idéias: transformá-lo em aquário, incluir luzes que acendam a cada milha percorrida (formando um infográfico de quanto você já correu) ou transformá-los em controles de Nintendo Wii.

http://www.nike78.co.uk/


Secret wars

É uma competição iniciada em 2006, promovida por boca-a-boca, em que artistas de duas cidades fazem batalhas ao vivo. Eles se apresentam, cantam, desenham, etc, e depois a platéia escolhe o vencedor. Essa espécie de “Clube da Luta” artístico já se espalhou por várias cidades da Europa e a missão do projeto é transformar a arte ao vivo em um esporte mundial.



7/7/2010
O email vai acabar?

Por Rafael Kenski


A diretora de operações do Facebook Sheryl Sandberg afirma que sim. Em um evento no último dia 15, ela afirmou que apenas 11% dos jovens usam email e que, como eles são um bom indicativo dos hábitos no futuro, é provável que a gente deixe de se comunicar dessa forma. É mais um capítulo em uma polêmica velha e com questões muito mais complicadas. Veja abaixo algumas delas:

1 – O uso de email cresce, mas menos do que o de rede sociais.

Um relatório do grupo Radicati mostrou que o número de contas de email deve crescer de 2,9 bilhões em 2010 para 3,8 bilhões em 2014. Entretanto, o número de contas em redes sociais deve crescer ainda mais: de 2,1 para 3,6 bilhões no mesmo período. O estudo também mostrou que o número de emails enviados por pessoa por dia está em queda desde meados de 2007.

2 – Ninguém sabe a relação entre redes sociais e email

Há quem diga que o Orkut e o Facebook concorrem com o email e estão contribuindo para que ele acabe. Compartilhar vídeos e textos ou ter conversas rápidas podem ser feitos com mais eficiência por redes sociais ou por mensagens instantâneas. Por outro lado, há evidência (http://blog.nielsen.com/nielsenwire/online_mobile/is-social-media-impacting-how-much-we-email/) de que os maiores usuários de redes sociais usam também o email mais do que a média. Talvez porque um grande número de contatos nessas redes se estenda para outros meios de comunicação, ou porque o Orkut ou o Facebook usem emails para dar alertas sobre o que acontece nelas. Por via das dúvidas, o próprio Facebook investe em ferramentas como responder mensagens pelo próprio email e há até especulações de que esteja investindo em um serviço de webmail como Gmail ou Hotmail.

3 – Emails não são só emails

Ferramentas de email hoje misturam lista de contatos, mensagens instantâneas, calendários e até ferramentas de microblogging como o Google Buzz. Por outro lado, qualquer rede social tem serviço de mensagens que não são lá tão diferentes de um email. Mesmo que os endereços com @ no meio caiam em desuso, ferramentas muito parecidas vão continuar existindo misturadas a várias outros serviços.

4 – Jovens não usam email enquanto são jovens

As editoras da Capricho têm várias histórias sobre como é mais fácil contatar leitoras por redes sociais ou mensagens instantâneas do que por email. Mas ninguém sabe até quando vai essa regra, e é possível que os jovens sejam forçados a mudar esses hábitos ao começarem a trabalhar. Afinal, enviar um relatório em Excel via Orkut não é das coisas mais fáceis.

5 – Jovens fazem um uso diferente de email

Além de usarem pouco, é provável que os jovens usem de maneira diferente. Há indicações de que eles dedicam o email a colecionar promoções, por exemplo. Uma pesquisa mostrou que jovens entre 18 e 25 anos têm maior probabilidade de assinar listas de email marketing do que pessoas mais velhas (http://www.globalgold.co.uk/web-hosting-news/email-marketing-uk/targeting-important-in-email-marketing-19365471.html). Outra indicou que, quando estão em busca de promoções, eles usam mais o email do que o Facebook (leve em conta que a pesquisa foi feita pela empresa de email marketing ExactTarget). (http://www.businesswire.com/portal/site/home/permalink/?ndmViewId=news_view&newsId=20100623005993&newsLang=en). Ninguém sabe o motivo disso, mas dá para arriscar uns palpites: já que os jovens não usam email mesmo, não os incomoda registrar o endereço em milhões de newsletters. O email passa a ser apenas um arquivo de cupons, para ser aberto quando der vontade de comprar alguma coisa.




6/7/2010
Sorriso é sucesso

Por Rafael Kenski

Dois projetos que fizeram bastante barulho e que giraram em torno de coisas felizes:

Máquina de sorvete acionada por sorriso


A Unilever divulgou em Cannes uma máquina promocional que distribui sorvete para quem sorrir o suficiente na frente dela, graças a câmeras e um sistema capaz de interpretar feições e identificar sorrisos. Enquanto entrega o sorvete, ela também pergunta se você quer colocar a foto do seu sorriso no Facebook.






Distribuidores de elogios

Dois estudantes da Universidade Purdue, Estados Unidos, fazem plantão em praças dando elogios a quem passar. Dizem o que der na cabeça, desde que façam as pessoas felizes. Fizeram tanto sucesso que foram parar em páginas de jornal e inspiraram grupos semelhantes em outras universidades, como a UCLA.

O vídeo dessa matéria sobre eles é engraçado:




 



5/7/2010
Videogames não são jogos de azar (mas podem valer dinheiro)

Por Rafael Kenski


O mercado de jogos de azar faz pessoas ganharem e perderem bilhões todo ano, e agora outro tipo de jogo quer fazer o mesmo: os videogames. Uma série de novos sites estão oferecendo torneios de jogos como Guitar Hero e Fifa 10 valendo dinheiro. O www.bringit.com e o www.galaxy4gamers.com já oferecem serviços assim, e um novo site do grupo Virgin promete entrar no mercado. Por serem baseados mais na habilidade do jogador do que na sorte, eles driblam muitas restrições que governos impõem a jogos de azar. E, claro, levantam novas polêmicas.

Em primeiro lugar, grande parte deles é voltada a jovens, que de uma hora para outra correm o risco de perderem milhares de dólares apenas sentados na frente da TV. Por conta disso, alguns sites restringem o valor máximo a ser apostado. Em segundo, vários videogames – ao contrário de jogos como o xadrez – não dependem apenas de habilidade. Um zumbi a mais ou a menos pode fazer uma grande diferença no resultado.

Por outro lado, as apostas em videogames podem abrir vários mercado novos e mudar a indústria de videogames. Casinos podem começar a oferecer XBoxes e Playstations. Campeões de alguns jogos podem se tornar milionários e novos games poderão surgir com o objetivo explícito de serem usados em apostas. Em vez de futebol, talvez as crianças sonhem em ser ricos e famosos como os campeões de Halo ou Call of Duty.

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2/7/2010
Pense diferente para aquilo que deixou de ser o que era.

Por Paulo Gouvêa

Em um cenário onde a
audiência da seleção americana de "Soccer" é maior do que a das finais da NBA nos EUA, está por fora quem ainda não percebeu que é preciso pensar diferente.

No Brasil, aproximadamente 25% das pessoas que possuem celular, são portadores de aparelhos smartphones (segundo pesquisa realizada pela Deloitte), e a partir dos próximos dias, a TV Globo sai da sua casa e passa a te perseguir também no metrô (
via bluebus).

Sai na frente quem enxerga essas notícias como oportunidades ao invés de se espantar. Com a mesma velocidade em que os brasileiros adquiriram celulares, em breve grande parte deles terá acesso a diversos formatos de mídia não só no seu aparelho pessoal, como também no caminho que percorre para o trabalho. Os veículos passarão a disputar espaços e exclusividade em diferentes locais e mídias. Mídia impressa terá formato adaptado para mobile, mídia digital terá que adaptar conteúdo para aparecer em telas de locais públicos.

Ao mesmo tempo em que os veículos se desdobrarão para estar presentes em todos os lugares onde as pessoas estão, os anunciantes devem adaptar seus planejamentos de mídia a uma nova realidade onde é preciso pensar fora da caixa. A criatividade ganhou aliados tecnológicos, resta deixar o conservadorismo de lado.

Veja abaixo a intervenção urbana realizada pela Editora Abril para divulgar a nova revista Máxima: 






 

 



1/7/2010
Dom Casmurro e carcaças!

Por Rafael Kenski


Não é todo ano em que se vê surgir um novo gênero literário – muito menos um que faça tanto sucesso. Mas foi o que aconteceu em fevereiro de 2009, quando surgiu o já clássico Orgulho e Preconceito e Zumbis (lançado no Brasil), adaptação da obra de Jane Austen feita pelo americano Seth Grahame-Smith. Entre uma cena de romance e outra, os protagonistas precisam eliminar hordas de mortos-vivos em busca de cérebros humanos. Em menos de um ano, o livro vendeu um milhão de cópias e já rendeu uma edição de luxo, onde o autor diz ter incluído 30% mais zumbis. Também teve os direitos comprados para uma adaptação no cinema, com a participação de Natalie Portman e previsão de estréia em 2011. A obra seguinte do mesmo autor, Abraham Lincoln: Vampire Hunter (Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros, em tradução livre), também deve ir ao cinema, dirigido por Tim Burton. E, em menos de um ano, dezenas de outras obras invadiram as livrarias, como Sense and Sensibility and Sea Monsters (“Razão e Sensibilidade e Monstros Marinhos”) e o recém-lançado Paul is Undead, uma versão zumbi dos Beatles.

Essas obras levantam um bocado de polêmicas. A primeira é reforçar o argumento contra o excesso de proteção à propriedade intelectual: é difícil imaginar que herdeiros ou editoras de Jane Austen aceitariam que essas paródias fossem feitas. Também é um sinal de que idéias extremamente idiotas não devem sempre serem descartadas: elas são só um jeito diferente de olhar o mundo. De alguma forma, esses livros ensinam um bocado sobre história e literatura. Aposto que alunos teriam mais disposição a ler “Os Sertões” se as batalhas incluíssem exércitos de zumbis.


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