Categoria ‘Direto da Redação’
O desafio de avaliar cursos superiores
por Fabio Volpe, em 27/10/2011 às 1h00
Acaba de chegar às bancas a nova edição do Guia do Estudante Profissões, carinhosamente chamado de “Guião” aqui na redação. Hoje temos 11 publicações diferentes do Guia do Estudante, mas foi no “Guião” que tudo começou. Desde 1988 ele tem a difícil tarefa de avaliar a qualidade dos cursos superiores do Brasil, tendo iniciado essa missão sete anos antes de o Ministério da Educação fazer o mesmo.
Muitas pessoas não têm ideia do tamanho desse desafio. Por isso, eu gostaria de compartilhar com os leitores do blog alguns números que mostram a dimensão da avaliação:
. Nº de instituições: Em 2011, a equipe do Guia do Estudante entrou em contato com 2 035 instituições de ensino superior de todo país. De cada uma delas extraímos um relatório com mais de 100 informações diferentes.
. Cursos avaliados: Levantamos junto às instituições 10 692 cursos de bacharelado para serem avaliados. Foi necessário, então, procurar o coordenador de cada curso para o preenchimento de um questionário com informações detalhadas sobre ele.
. Padronização de nomes: Outro desafio foi agrupar em uma única nomenclatura diferentes nomes que um mesmo tipo de curso recebe. Exemplo: dependendo da instituição, o curso de Publicidade e Propaganda pode receber nomes como Comunicação e Marketing, Propaganda e Marketing, Comunicação Mercadológica… Apuramos as características de mais de 600 tipos de cursos com nomenclaturas diferentes para organizá-los em 219 carreiras.
. Notas colhidas: Para analisar a qualidade dos cursos, ouvimos 2 965 professores de ensino superior de todo o país. Eles deram um total de 55 453 notas para que conseguíssemos um mínimo de 5 notas para cada curso avaliado.
Como dá para perceber, não é fácil esse trabalho que se prolonga por oito meses. Há mais de duas décadas ele é feito com tanta seriedade que as estrelas da avaliação do Guia do Estudante se tornaram um selo de qualidade do ensino superior brasileiro.
Nem dá muito tempo de comemorar mais um ano de sucesso da avaliação. Em dezembro começa tudo de novo!
Uma revolução silenciosa
por Fabio Volpe, em 22/09/2011 às 2h54
Vamos confessar: a gente adora descer a lenha no Brasil. Jornalistas como eu, então, têm isso praticamente como um hobby. Não nego que o “foco no que está errado” tem papel fundamental no desenvolvimento do país. Sem fiscalização, a coisa, de fato, não anda. Mas o que me incomoda é que muitas vezes esse tipo de visão faz a gente desprezar ou não enxergar conquistas importantes.
Levantando alguns dados sobre educação no Brasil, encontrei recentemente as duas informações abaixo:
. Entre 2001 e 2009, o número de matriculados no ensino superior passou de 3 milhões para 6 milhões de estudantes
. Pesquisa divulgada pela OCDE – entidade que articula políticas públicas dos países mais desenvolvidos do mundo – mostra que quem faz uma faculdade no Brasil pode aumentar seus rendimentos em até 156%
Basta juntar essas duas informações para se ter uma ideia da revolução silenciosa que está ocorrendo em nossa sociedade. É claro que a qualidade da maior parte das universidades deixa a desejar. É claro que ainda temos menos de 20% dos jovens no ensino superior e que esse avanço poderia seguir num ritmo, digamos, mais coreano. Mas também é sempre bom lembrar que temos uma população quatro vezes maior que a da Coreia, país que não tem nem 2% do nosso tamanho continental.
Continuar cobrando mais avanços é imprescindível. Mas não enxergar e não valorizar as conquistas alcançadas pode ser o primeiro passo para desestimular um desenvolvimento contínuo.

Twitter #Fail?
por Sergio Gwercman, em 31/08/2011 às 12h26
Se você perguntasse há coisa de 2 ou 3 anos sobre a melhor coisa da internet eu responderia na lata: Twitter. Eu via ali a web em estado perfeito: quantidade absurda de informação, consumo rápido, proximidade de amigos e acesso móvel (para mim, Twitter sempre foi no iPhone). Era a rede social perfeita – substituía o email, os portais e até o sms.
Então o tempo passou. E hoje minha experiência com o Twitter é cada vez mais burocrática. Checo a Timeline duas vezes por dia em busca de informações relevantes. Posto pouco. Troquei as DMs pelo WhatsApp. Não falo com amigos. Crise na rede social? Não necessariamente. Porque hoje estou usando o Twitter exatamente como seus criadores o enxergam: não como uma rede social, mas como uma ferramenta capaz de reinventar a distribuição de notícias – na definição do fundador Biz Stone, o “Twitter não é uma rede social, mas uma rede de tempo real”.
A visão de Biz contraria boa parte do que é feito nas agências e empresas de comunicação, que incluem o Twitter ali ao lado do Facebook na sua “estratégia de redes sociais” – o que quer que isso signifique (e na maioria das vezes só significa espuma mesmo). Uma olhada rápida na minha Timeline mostra o quanto isso está errado. Nenhum dos últimos 5 perfis que eu comecei a seguir é de um amigo: o estatístico Nate Silver, o jornalista científico Carl Zimmer, Jerry Seinfeld, o blog Faria Lima, o comentarista israelense Shmuel Rosner. Com eles eu não travo diálogos. Não troco mensagens diretas. Não me divirto. Enxergo ali fontes relevantes de informação e nada mais.
O problema do Twitter é que tudo está saindo como planejado – mas o planejado não é tão legal assim. Redes sociais, com pessoas de verdade, são absurdamente mais engajadoras que distribuidores de notícias. As marcas que estão dominando o ambiente deixam ele mais frio e monótono. A maioria das pessoas que está lá fala pouco. E poucas pessoas falam muito. Assim o Twitter vai virando um grande silêncio onde o barulho é ensurdecedor. O clima que me fez achar o Twitter a melhor coisa da internet não existe mais.
O ponto é: o Twitter chegou onde sempre falou que queria estar. Os autores da profecia de que estávamos diante de uma rede social maravilhosa fomos nós. Mas eram eles que tinham razão.

Para termos mais universitários no Brasil
por Fabio Volpe, em 22/08/2011 às 12h27
Uma pesquisa divulgada no início do mês pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) trouxe um dado muito interessante sobre o ensino superior no Brasil. Do total de alunos das universidades federais, 67% pertencem a famílias com renda mensal inferior a R$ 2 600. Ou seja, cai por terra aquele velho senso comum de que é apenas a população de maior renda que consegue entrar nas nossas universidades públicas.
Diante desse dado fica mais clara a importância da expansão que está ocorrendo na rede de universidades federais do país, que nos próximos anos deverá chegar a 63 instituições. Entre 2006 e 2010, já foram oferecidas 70 mil novas vagas nessa rede, um aumento significativo de mais de 60%.
Até aqui, temos a notícia boa. A ruim é que só o aumento das federais não basta para chegarmos a um nível decente de universitários no país. Hoje, apenas 14% dos brasileiros entre 18 e 24 anos estão matriculados no ensino superior. A meta do governo é levar esse número para 33% até 2020. O problema é que o Brasil não conseguirá atingir tal patamar contando só com as universidades públicas.
Vale lembrar que as universidades privadas são responsáveis por 74% das matrículas no país. E na rede privada o ritmo de crescimento das matrículas está desacelerando. Enquanto entre 2001 e 2005 o crescimento no número de matrículas atingiu uma taxa média de 12% ao ano, no período seguinte, entre 2006 e 2009, a taxa caiu para uma média de 7%, sendo apenas 4% de crescimento em 2009.
Para ajudar os alunos das classes C e D a terem condições de frequentar uma universidade privada, o governo criou importantes programas nos últimos, como o Prouni (que oferece bolsas integrais ou parciais para os alunos) e o Fies (que oferece financiamentos em condições especiais para os estudantes).
Mesmo com esses apoios, as matrículas nas universidades privadas começaram a patinar. Um dos motivos levantados por especialistas é que os programas do governo são focados em ajudar os estudantes de baixa renda a lidar com as mensalidades das instituições. Mas para quem é da classe C ou D existem outros custos que pesam no orçamento na hora de estudar – do preço dos transportes à compra de livros ou mesmo gastos com xerox.
Se quisermos continuar avançando no processo de inclusão dos brasileiros no ensino superior, teremos que lidar com essa questão o mais rápido possível.

Uma nova era para o Marketing
por NJovem, em 09/08/2011 às 4h56

Por Renato Cagno*
Consumidores hiperconectados, super sensíveis a preço, buscando a melhor oferta no tempo de um clique, que não buscam só um atributo funcional num produto mas também (e principalmente) toda a carga emocional associada à marca, que querem ser surpreendidos positivamente em cada fase da experiência de compra, que querem conveniência e simplicidade, que não admitem falhas e colocam a boca no trombone caso elas aconteçam, que esperam valores éticos e sustentáveis das empresas e que não estão dispostos a vender barato a sua fidelidade. Os novos tempos podem parecer realmente ameaçadores paras as empresas. Eu, por outro lado, chamo isso de oportunidade. Sim, oportunidade, afinal as empresas têm agora a chance de resgatar algo que em muitos casos foi colocado em segundo plano: sua verdadeira essência, sua alma.
Para tentar esclarecer meu ponto, vale voltar ao começo de tudo. As relações de troca sempre existiram na história da humanidade, mas no início dos tempos dada à pequena quantidade de pessoas, às imposições da natureza, das distâncias geográficas e da tecnologia, todas as relações “comerciais” eram calcadas única e exclusivamente na relação entre as pessoas. Quando alguém decidia fazer alguma transação com outro era porque o conhecia, via como era a feita a produção, entendia seus propósitos e estabelecia assim uma relação de confiança. Quando os produtos começaram a ser transportados para ser comercializados à distância e o momento da venda passou a acontecer longe de onde era feita a produção, essa relação mudou. A origem das marcas data dessa época, quando os produtores começaram a perceber a necessidade de mostrar aos consumidores que aqueles produtos eram feitos por ele, esperando assim que aquele emblema carregasse todas as informações de sua procedência, propósito e qualidade. Mas tudo foi ficando mais complexo, com múltiplos competidores, utilizando um sem número de fornecedores, localizados em qualquer parte do mundo produzindo para qualquer região do planeta, com milhares de funcionários gerenciando um portfolio de centenas de variedades de produtos com o objetivo de atender uma multidão de pessoas com perfis específicos. O fato é que aos poucos foi ficando cada vez mais difícil as empresas se manterem ligadas ao seu verdadeiro propósito e transmitir aquela relação pessoal original em toda a cadeia e em todos os pontos de contato com o consumidor. No mundo hiperconectado atual, contudo, isso se evidencia e aumenta assim a necessidade das empresas resgatarem e difundirem os seus fundamentos primordiais. Afinal, hoje isso não é mais um diferencial competitivo, mas razão de sobrevivência.
Em 2006 sentimos na pele os efeitos devastadores que acontecem quando uma marca se distancia de sua alma. Decidimos fazer uma mudança de posicionamento em CAPRICHO, referência em revista adolescente. Imaginávamos que o aumento da influência da web mudava completamente o nosso cenário e a natureza do nosso público e partimos, então, para criar uma revista mais trendy e aspiracional, focada em uma garota nos seus 15 anos mas com uma linguagem para uma menina de 19, mais interessada em comportamento do que em ídolos. Foi um tremendo fracasso. A nossa essência não era aquela. CAPRICHO sempre foi a melhor amiga de uma adolescente, aquela que está junto nos meus momentos mais alegres e também nos mais difíceis, mas que tem um único propósito de existência: mostrar a beleza de viver um período especial da vida e tornar a adolescência a época mais feliz da vida de uma garota. Aprendemos com o nosso erro e nos concentramos de forma absoluta na nossa missão de vida. E hoje, apesar de vivermos tempos de mudanças meteóricas, CAPRICHO nunca viveu período mais especial. De 2007 para cá a circulação da revista quase triplicou, o endereço online se tornou o maior site de revista teen do mundo, nossa plataforma de licenciamento chegou a 9 milhões de itens vendidos por ano, o evento NoCapricho se tornou o maior festival teen do Brasil com 15 mil pessoas por ano, entramos no mercado fonográfico, no de viagens e criamos uma agência de talentos adolescentes, lançamos 2 programas de TV (Temporada de Moda e Colírios Capricho) e vemos criando projetos de comunicação proprietários e de clientes com destaque internacional. E cada dia mais temos certeza de que o foco total na nossa essência é que é a razão de tanto sucesso.

Assim, acreditamos que é fundamental que as marcas encontrem sua alma e que passem a fundamentar seu planejamento, seus produtos, seus serviços e sua comunicação em cima dela. É uma nova era para o Marketing, em que se focar somente num plano de comunicação não é mais suficiente, e que as antigas fórmulas não são garantia de sucesso. Estamos à disposição para ajuda-los nesse desafio. Tenho certeza de que os novos tempos não parecerão tão turbulentos depois disso.
Abaixo um vídeo antigo, de uns 4 anos atrás, mas que nunca foi tão atual. Divirtam-se. E depois me digam: concordam?
* Renato Cagno é Gerente de Marketing da Capricho e convidado especial da coluna Direto da Redação nesta semana
7 livros sobre (news)games que você deve ler
por Frederico Di Giacomo, em 03/08/2011 às 3h15

Estou organizando uma pequena bibliografia para quem, como eu, sempre gostou de games, mas agora está interessado nas teorias de “como e por que fazê-los”. Claro que existem poucos livros específicos sobre os newsgames, mas conversando com amigos, como @rkenski e @dtrocoli, preparei essa listinha para os interessados em game design, roteiros de games, produções multimídia e, assunto principal desse blog, jogos jornalísticos. Espero que seja últil pra vocês, como está sendo pra mim. Por enquanto, já risquei do meu checklist o “Newsgames: Journalism at Play” e “Hamlet no Holodeck”. Clicando na capinha de cada obra, você tem mais informações e/ou links para comprá-las:
1)”Persuasive Games: The Expressive Power of Videogames”, Ian Bogost
2 linhas sobre: Livro do pioneiro dos newsgames Ian Bogost, analisa o poder persuassivo dos jogos, com destaque para três áreas: educação, publicidade e política.
2) “Hamlet no Holodeck: O futuro da narrativa no ciberespaço”, Janet H. Murray
2 linhas sobre: Publicado em 1997, já se tornou um clássico dos estudos sobre linguagem eletrônica e narrativa interativa. Alguns exemplos são ultrapassados, mas os conceitos básicos são fundamentais.
3)”Newsgames: Journalism At Play”, Ian Bogost
2 linhas sobre: Raro livro a abordar especificamente newsgames, a obra de Bogost propõe uma classifcação recheada de exemplos de jogos jornalísticos, inclusive com casos históricos de jogos no jornalismo impresso.
4)”A Theory of Fun for Game Design”, Raph Koster
2 linhas sobre: Alternando texto e ilustração, Raph Koster virou referência no mundo do game design, numa reflexão – que serve pra prática – sobre o poder de engajamento e entretenimento dos games.
5)”Cultura da Convergência”, Henry Jenkins.
2 linhas sobre: Estuda as novas mídias e como esses meios convergem. Referência não só para games, mas para dois termos hype que publicitários e teóricos adoram: “transmedia” e “storytelling”
6) “Rules of Play: Game Design Fundamentals”, Katie Salen e Eric Zimmerman
2 linhas sobre: Uma tentativa de sistematizar a arte de produção de games, referência para quem quer se aventurar na criação e produção de jogos.
7) “Reality Broken: Why Games Make Us and How They Can Change the World” “, Jane McGonigal
2 linhas sobre: O subtítulo do livro já entrega tudo; segundo McGonigal, jogar até 3 horas por dia pode tornar as pessoas melhores e os conceitos aprendidos nos games podem ajudar a mudar o mundo real.
-Conheça o jogo “Find the Future”, criado por Jane McGonigal e jogado na Biblioteca de Nova York
-6 links legais sobre newsgames

O que cai na rede é peixe
por Patricia Hargreaves, em 26/07/2011 às 12h45

Se existe um ser humano que invejo no mundo é a J. K. Rowling. Não só por sua incrível fortuna conseguida com trabalho honesto. É pelo talento com que ela lida com o universo lúdico do jovem. A autora de Harry Potter é mestra na arte de seduzir leitores, prender sua atenção, viciá-los mesmo. E os consumidores da saga tem a faixa etária da MUNDO ESTRANHO. Daí minha constante atenção naquilo que a professora-inglesa-com-toque-de-midas produz. E cada vez mais me convenço que quanto mais fantasioso, melhor.
No presente momento tem pelo menos duas outras ondas de romances no gênero rolando. A série que começa com A guerra dos tronos (primeiro lugar na lista de best sellers da VEJA), que rendeu o seriado Game of Thrones e a trilogia Jogos Vorazes, que vira longa metragem a ser lançado em março de 2012.
E posso dizer? Eles idolatram essas séries. São seguidores, se dedicam. Mais ou menos como faziam os jovens que amavam os Beatles e os Rolling Stones. A grande diferença agora: a internet. Os fãs de qualquer coisa desta geração se organizam de maneira genial, como abelhas em colméias. Trocam informações, colecionáveis, experiências. E tornam nossa vida, de algum jeito, mais fácil.
Por conta disto, veio a ideia de lançar o quinto especial da saga Harry Potter, da MUNDO ESTRANHO só estabelecendo parceiras com os fan sites do bruxo nas redes sociais. Quem realizou a ação foi a Simple Brasil, uma agência que trabalha basicamente com redes sociais. Durante cinco dias eles realizaram gincanas, com tarefas que demandavam do público o que eles mais têm: conhecimento sobre os livros e filmes da sério. Os prêmios eram kits dos quais sempre o especial da MUNDO ESTRANHO fazia parte. A brincadeira terminou exatamente na hora em que o filme fazia a estreia mundial. Resultado:
- 4 horas seguidas no topo do Trending Topics Brazil do Twitter no dia de estreia da campanha;
- 150 mil menções à hashtag da ação #UltimatePotter;
- 1,9 milhão de pessoas impactadas no Twitter e 9.780 seguidores para o endereço @ultimate_potter
- 490 twitts feitos pelo perfil @ultimate_potter
- 2.822 pessoas curtindo a fan page no Facebook;
- 2,5 mil fotos postadas na ação PotterManíacos, mais de 100 delas com o Guia Mundo Estranho HP;
- 14,5 mil views no vídeo-teaser da campanha;
- 15 posts feitos pelos FanSites aliados;
- 500 twitts feitos pelos FanSites aliados;
Ainda não sabemos como isso tudo se refletirá nas vendas da revista. Mas, o barulho foi grande.

Por que os indies querem as majors
por Sergio Gwercman, em 19/07/2011 às 5h47

Foto: Robert Bejil Photography
Pense em tudo que você leu sobre a indústria musical nos últimos anos. Que a pirataria está destruindo as gravadoras. Que é melhor negócio para uma banda ser independente do que assinar contrato. Que músico não ganha dinheiro vendendo disco, mas fazendo turnê. Agora junte essas informações e tente explicar o seguinte: como é possível que no meio desse cenário quase 75% das bandas independentes respondam numa pesquisa que desejam assinar contrato com uma grande gravadora? Que o sonho da maioria delas seja descolar um acordo com uma major e ganhar disco de platina no Faustão?
Uma parte da resposta passa, é claro, pelo bolso. Os músicos estão descobrindo que não há tanto dinheiro assim para ser feito lá fora. Para ganhar mil reais em um site como o Last.fm, sua música precisa ser tocada 820 mil vezes. Lady Gaga lucrou US$ 167 dólares com as cerca de um milhão de execuções que teve no Spotify. Ah, mas qualquer um pode capitalizar uma exposição dessas, você diria. Nem sempre. Tem que ralar muito, e sem garantia de retorno. Rebecca Black teve 100 milhões de views com Friday. Tudo isso valeu para ela cerca de 40 mil dólares, incluindo venda de cópias digitais e publicidade no canal do YouTube.
E isso nos leva à segunda parte da resposta: os músicos descobriram que fora da grande indústria há mais liberdade, mas também mais responsabilidades e menos garantias. É preciso cuidar da própria vida, das contas, da divulgação. E não há bajuladores, babás ou alguém para cobrir a despesa do quarto do hotel destruído após um ataques de estrela do rock. Tem muita gente que prefere o modelo de antigamente. É como uma cantora iniciante explicou: “Era mais fácil quando você entrava numa limusine e te diziam o que fazer”.

PS: se você quiser saber mais sobre a indústria musical hoje, sugiro que leia a reportagem A Música nos Anos 10, que está na edição de julho da SUPER. Dá para comprar nas bancas ou baixar no iPad.
Rankings: bons, mas não definitivos
por Fabio Volpe, em 14/07/2011 às 1h57

A Folha de S. Paulo publicou uma matéria bem interessante nesta segunda-feira (11/7), analisando vários dados sobre as escolas da cidade de São Paulo melhor posicionadas no ranking do Enem – veja aqui. O que mais chama atenção é a inexistência de um padrão definido. Entre as 40 melhores escolas da capital paulista, segundo o ranking do Enem de 2009, temos algumas instituições com mais de 40 alunos por sala de aula e outras com menos de 20 estudantes. Umas bastantes rigorosas, com taxas de reprovação acima de 10% dos alunos, e outras com índices perto de 0% de reprovação. Escolas com rotinas de mais de 8 horas de aula por dia, e colégios que não chegam a 5 horas diárias de estudo.
Imagem: Folha de S. Paulo
O levantamento permite várias interpretações. A meu ver, o principal recado é bem direto: rankings de instituições de ensino devem ser vistos com cuidado. Gosto de frisar isso principalmente por estar à frente da redação que organiza a mais tradicional avaliação de cursos superiores do país, que são as estrelas dadas às universidades pelo Guia do Estudante. Rankings são ferramentas úteis, sim; importantes, é claro; mas eles não podem ser encarados como a única fonte de informação num processo de escolha, seja de um colégio ou de uma faculdade. Do ponto de vista da quantidade de conhecimento assimilado, fica claro por esse levantamento da Folha que tanto faz um estudante de ensino médio estar ao lado de outros 40 alunos na sala de aula ou apenas junto com 15 colegas, pois existem exemplos de sucesso nas duas situações. Mas será que todos os estudantes se adaptariam da mesma maneira em ambientes de aprendizado tão diferentes? Além da quantidade de conhecimento assimilado, não é preciso se preocupar com muitas outras questões no processo de formação de um aluno, no processo de formação de um cidadão? Taí uma lição que muita gente ainda não conseguiu aprender.

Universo estranho
por Patricia Hargreaves, em 28/06/2011 às 5h47

Não. Não é fácil prender a atenção dos meninos. A concorrência é desleal: SMS, games, redes sociais, shopping. Isso sem falar em estudos, música, televisão, tudo ao mesmo tempo e agora. Atenção fragmentada para todos os lados.
Eleita a revista do ano da Editora Abril, a MUNDO ESTRANHO conquistou este título porque vem se firmando na arte de conquistar a atenção daqueles que tinham tudo para engrossar a estatística de que “jovens não leem”. Aqui o negócio é diferente. Não só eles lêem, como gostam e contam para os amigos. O resultado disto é uma revista que cresce em circulação (e continua assim em 2011) em média 20% ao ano.
Desenvolvemos, ao longo dos 10 anos do título, que surgiu como um especial da SUPER, uma expertise em falar com meninos. Com meninos a partir dos 12 anos até os de 60… (brincadeira, mas temos muito leitores que se sentem jovens, mas isto é papo para outro momento). E meninas que gostam além de assuntos de “mulherzinha”.
Se eu tivesse de definir o maior segredo da ME, diria que é o jeito de comunicar com seu público sempre de um jeito divertido, colorido, surpreendente, mas acima de tudo informativo. E prestando muita, mas muita atenção no que eles estão fazendo, consumindo.
Uma vez por mês realizamos uma avaliação da edição através do MSN. Leitores que se inscrevem e passam por um breve processo seletivo são convidados a dizer o que acharam de cada página da revista. O mesmo acontece via Twitcam, quando dois membros da redação tiram dúvidas para uma plateia (que passam muitas vezes de 200 pessoas).
Este tipo de ação tem nos levado a tomar iniciativas editoriais que sempre se renovam. E, que, claro, seguem tendências internacionais. Teen é teen aqui ou na Noruega!
A reportagem de capa da edição da MUNDO ESTRANHO do mês de julho, por exemplo, reflete algumas das lições que os leitores vem nos ensinando. A primeira delas: meninos são práticos, não tem tempo a perder. Quem conhece a ME sabe que não fazemos rodeio para dar nosso recado. É pá-pum: textos breves e bem escritos para ilustração (criativas, coloridas e surpreendentes) que complementam a informação.
Nada melhor para ser simples e direto do que uma boa lista. Não é à toa que um bando de títulos do tipo “1001 lugares para conhecer antes de morrer” viram best sellers fácil, fácil. Nossa matéria de capa pega carona mesmo neste conceito. E, esperamos, que vire também uma best seller, já que é férias.
Na Amazon.com, títulos de capa dura com listas são mais de 1500. Relatam desde quadros até cervejas.
Ainda neste mês, chamo sua atenção para uma reportagem que me impressionou muito: sobre a Comic Com. Olhe bem, preste atenção. A convenção de quadrinhos que começou nos anos 70, cresceu e apareceu absurdamente. Repara só como subiu a média de público em cada década:
1970 – 300 pessoas
1980 – 5 mil pessoas
1990 – 13 mil pessoas
2000 – 48,5 mil pessoas
2010 – 130 mil pessoas
Impressionante, né?

















